Um Clássico Rico
Artigo postado por André Andrade, São Paulino.
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São Paulo e Santos ainda estavam por mostrar seu futebol em 2008.
O time do Morumbi, Bi-campeão brasileiro, ainda busca sua ideal formação com seus novos reforços e se adaptando as perdas de seu elenco como Breno, Leandro e Souza, titulares em 2007. Já o clube da Vila Belmiro sofrendo com a saída de jogadores importantes, aliada a escassez de reforços, faz do início da campanha santista a pior dentre os grandes do estado, com constantes flertes à zona de rebaixamento.
Para os mais otimistas, o clássico já iniciaria com um favorito, o São Paulo. O técnico Emerson Leão, astuto como de costume, fez coro a este favoritismo, chegando a declarar que seriam “os pobres contra os ricos”. Já o “boleiro” Muricy Ramalho refutou este favoritismo usando a máxima de que “clássico não tem favorito”. A propósito, esta não seria a única máxima usada no clássico.
A expectativa era de que o clássico fosse o melhor dentre os já realizados neste paulistão, o que, diga-se de passagem, não seria tão difícil, visto os monótonos 0x0 de São Paulo x Corinthians e Palmeiras x Santos.
O São Paulo começou o jogo disposto a apresentar um futebol veloz, pressionando o Santos desde o início. Com a recuperação do lesionado Juninho, Muricy optou por voltar ao esquema 352, só que com uma mudança de posicionamento. Hernanes atuou quase que efetivamente como um meia pela direita, com Richarlyson e Jorge Wagner revezando entre ala e meia esquerda. E este revezamento na ala esquerda deu resultado logo de início. Já nos primeiros minutos de jogo, Jorge Wagner levanta da esquerda e Adriano sobe alto, mas quem cabeceia é o zagueiro Domingos. Logo em seguida, em um rebote de Fábio Costa o próprio Jorge Wagner perde um gol incrível, cara a cara com o arqueiro santista.
É nesta hora que podemos usar a máxima “quem não faz, toma”. Em jogada rápida, Adaílton lança o bom jogador Tiago Carleto, que efetua um espetacular lançamento para Kleber Pereira, que, em posição legal apesar da reclamação da zaga tricolor, inaugura o placar, no primeiro ataque santista no jogo.
Logo no lance seguinte, o lateral Carleto passa de herói a vilão. Richarlyson busca a linha de fundo e é golpeado pelo atleta santista, o lateral da seleção brasileira no último amistoso, infantilmente revida a agressão do santista. O árbitro poderia tranqüilamente ter expulsado os dois jogadores, mas preferiu amortizar a punição com um duplo amarelo. Na cobrança de falta, o efetivo Jorge Wagner cobra no meio da área, a zaga santista segue Adriano que inteligentemente puxa a marcação abrindo defesa santista, e ironicamente, Fábio “Santos” marca o gol de empate tricolor.
Depois de um início eletrizante o jogo acalma. O São Paulo explora muito os cruzamentos na área buscando as “torres gêmeas” Adriano e Aloísio, além das arrancadas pela esquerda de Jorge Wagner. O tricolor sente a ausência das arrancadas incisivas de Dagoberto e o ataque fica muito isolado do meio campo, já que os dois atacantes em jogo não possuem características de sair da área para buscar o jogo. Já o Santos sente claramente a falta do lateral Kleber. O time joga sem qualquer criatividade, apostando em uma eficiente marcação e nas subidas do jovem Carleto, que aproveitava os espaços deixados por Joilson, muito apagado no jogo.
Antes do término da primeira etapa o São Paulo ainda teve duas chances de virar o jogo, ambas com Adriano. No primeira o “Imperador” recebeu a bola na entrada da área, livre, no pé esquerdo como ele gosta, calibrada para um chute forte, e ele o fez, só que na arquibancada. Na segunda chance, ele subiu livre de marcação e testou no canto, para defesa de Fábio Costa.
O primeiro tempo ainda teve um lance curioso, mas de emoção. Jorge Wagner cruza visando Aloísio, mas quem testa firme em direção ao gol santista é o zagueiro Domingos, jogando contra a pátria. A bola explode na trave.
O primeiro tempo termina (antes até do final do término do tempo regulamentar) com o São Paulo melhor, mas nada que justificasse uma vitória tricolor.
O Santos volta com uma substituição: O jovem Alemão entra no lugar do também jovem Tiago Luiz, que não fez um bom primeiro tempo.
Logo no início, aos 3:30 min., Juninho cobra falta de longe com uma pancada, tal qual as que o fizeram conhecido no cenário nacional pelo Botafogo, a bola chega a bater nas mãos de Fábio Costa que não consegue defender. É a virada tricolor, 2x1.
A reação santista não demorou. Um impedimento foi cobrado rapidamente, Alemão faz boa jogada pelo lado esquerdo e cruza, Rodrigo Souto sobe mais alto que a defesa tricolor e cabeceia no canto de Rogério Ceni. Novamente tudo igual no Morumbi.
Á exemplo do primeiro tempo, após o início animado o jogo volta a cair tecnicamente. O técnico Emerson Leão muda bem a equipe taticamente e marca com eficiência o revezamento tricolor pelo lado esquerdo. Ambos os times sofrem com a falta de criatividade no meio de campo.
Cai a chuva no Morumbi e o clássico caminhava para o empate.
Não contente com o futebol da equipe, o técnico Muricy Ramalha troca Aloísio por Borges e Fábio Santos por Carlos Alberto.
Apesar das substituições do tricolor, é o Santos que tem a bola do jogo nos pés de Kleber Pereira. Ele recebe livre, cara a cara com Rogério, e bate por sobre o gol.
Já no lance seguinte o Santos parece decidido a definir o clássico, Kleber Pereira recebe e tem grande chance de fazer o gol da vitória, Rogério defende, no rebote um bate e rebate na área e a bola, involuntariamente, resvala no braço de Miranda, para reclamação dos santistas e do técnico Leão. Apesar da reclamação a bola ainda sobra com Kleber, que inacreditavelmente perde novamente a chance do gol, a terceira chance clara desperdiçada em menos de três minutos.
Com os gols desperdiçados pelo Santos, seria difícil imaginar em um resultado diferente do empate, mas novamente podemos usar a máxima, “quem não faz, toma”. Em um rápido contra-ataque, o meia Carlos Alberto avança com a bola dominada e bate em direção ao gol. A bola ainda bate em Domingos e engana Fábio Costa. Para desespero do desafeto Leão, é o primeiro gol de Carlos Alberto com a camisa tricolor, e o terceiro da equipe no jogo.
O excelente clássico no Morumbi teve de tudo: Gols, emoção, polêmica.. Mas ainda faltava um elemento: Confusão.
O São Paulo saia em contra-ataque e Rodrigo Tabáta faz falta violenta por trás e é expulso, despertando a ira de Leão que reclama veementemente da arbitragem.
Ainda sobrara tempo para Adriano, infantilmente, ameaçar dar uma cabeçada em Domingos e, acertadamente, também ser expulso.
O São Paulo teve mais volume do jogo, e aproveitou bem as jogadas de bola parada. Mas as principais jogadas de ataque, apesar de escassas, foram da equipe da Vila mais famosa do Mundo, que teve a chance de definir a partida e não o fez.
No final das contas, pudemos assistir uma excelente partida de futebol, coisa rara neste moribundo campeonato Paulista.
André Carvalho de Andrade
5 comentários:
otimo texto André
Parabéns!
Excelente texto..Parabéns André.
Só acho que errou em uma coisa, caso o errado e distráido não seja eu.
"O São Paulo saia em contra-ataque e Rodrigo Tabáta faz falta violenta por trás e é expulso"
Se não me engano, foi o Tabata que "recebeu" uma falta não marcada pelo arbitro e reclamou(xingou o arbitro) e foi expulso.
Parabéns, André!!!
Excelente texto. quase uma bíblia, mas muito bom. heheheh
Valeu Amigons!
Tem razão Renato.. falha nossa!
Abraços!!
Valeu Amigons!
Tem razão Renato.. falha nossa!
Abraços!!
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